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Especialista da Ion Radioncologia ganha prêmio inédito da American Society for Radiation Oncology

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O médico especialista em Radioterapia e membro da equipe médica da Ion, Antonio Carlos Zuliani Oliveira, recebeu, em Atlanta, Estados Unidos, o Prêmio Científico Internacional, conferido pela American Society for Radiation Oncology (ASTRO), durante a 55ª reunião anual da especialidade. O prêmio é dado a apenas um trabalho, escolhido entre vários do mundo. Zuliani foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio e também a apresentar o trabalho oralmente no evento mais renomado da área.

O prêmio, que também assegurou ao médico um estágio de 20 dias no Hospital MD Anderson, em Houston, no Texas – um dos mais conceituados do mundo em tratamento oncológico – derivou da técnica que amplia a sobrevida de pacientes com câncer de colo de útero em estágio avançado – conforme tese de doutorado defendida por ele na faculdade de Ciência Médicas (FCM) da Unicamp.

O estudo foi desenvolvido na Radioterapia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), coordenado pelo radioncologista Sérgio Esteves. “A necessidade de tratamentos mais eficazes, a alta incidência da neoplasia em nosso meio e a carência de trabalhos científicos internacionais para estes estádios avançados motivaram o desenho deste projeto de estudo”, comenta.

No período de dez anos (2003-2013), Zuliani testou a associação da radioterapia com branquiterapia de alta dose e a quimioterpaia com cisplatina no tratamento de 147 mulheres com câncer de colo do útero avançado. O experimento, inédito, indicou melhora significativa da saúde de 10% das mulheres que tinham um estado grave. Essa melhora se refletiu no controle local e na sobrevida livre da doença.

A perspectiva de metade das pacientes tratadas nesse estágio da doença é óbito antes de cinco anos, mesmo após o tratamento radioterápico. Deste modo, 10% das pacientes que não sobreviveriam e teriam recidivas, não vão ter mais. “Esse percentual significa muito em oncologia”, afirma Zuliani.

A descoberta vai colaborar para que menos pessoas evoluam para óbito em razão do câncer do colo avançado. “Graças a essa pesquisa, na Unicamp já não somos mais autorizados a indicar apenas a radioterapia. Agora, os pacientes são tratados com radioterapia e quimioterapia simultaneamente – o que mudou o protocolo do hospital e, também, o modo de encarar a patologia”, comemora Luiz Otávio Zanatta Sarian, orientador da pesquisa, que foi feita no serviço de Radioterapia do Hospital da Mulher, Prof. José Aristodemo Pinotti, Caism.

Novo tratamento para o câncer do colo

O estadiamento do câncer de colo do útero vai do grau 1 ao 4, conforme a gravidade. Quando chega ao último grau, a doença torna-se sistêmica, afetando outros órgãos.

Até o estágio 2 a abordagem dos casos é cirúrgica. A partir de então, parte-se para a radioterapia, visto que a cirurgia já não é mais possível, não surte bons resultados e sua toxidade é muito alta. Esta conduta é um consenso mundial.

Zuliani notou melhora no controle local e na sobrevida livre da doença dessas mulheres com o novo tratamento que utiliza, em conjunto com a radioterapia e quimioterapia, a braquiterapia com alta taxa de dose, que é uma terapêutica local de radiação intracavitária no útero bem mais rápida do que a baixa taxa de dose.

“No tratamento com baixa taxa de dose, a mulher necessitava ficar internada no hospital de dois a três dias. Era algo desconfortável, porque a paciente era obrigada a permanecer na mesma posição 72 horas com a fonte radioativa no canal vaginal: ficava em decúbito dorsal horizontal, sem sequer poder virar de lado”, explica.

Benefícios da descoberta

Pelo novo protocolo, a mulher recebe em média quatro aplicações semanais, numa mesa ginecológica, onde ela fica deitada, com a face virada para cima, com flexão de 90º de quadril e joelho.

A aplicação, que a antes levava até três dias, agora é feita em cerca de 40 minutos. “É um tratamento mais rápido e adequado às pacientes, que quando chegam ao hospital já estão muito fragilizadas pelo diagnóstico”, comenta.

Durante o procedimento, é introduzido um aplicador dentro do útero, apesar do incômodo rápido e passageiro, na maioria das vezes, não é necessária a aplicação de anestesia. “Esse aplicador possui uma espessura menor do que a de um dispositivo intra-uterino (DIU)”, tranquiliza.

A braquiterapia emprega fontes de radiação interna. O material radioativo é colocado por meio de aparatos específicos, próximo à região tumoral, em contato direto com a região pretendida. Terminado o procedimento, o material é retirado do corpo. Esse tratamento permite aplicar doses de radiação muito menores nos tecidos e órgãos da doença.

Na braquiterapia de alta taxa de dose, material do estudo realizado, a radiação é aplicada numa velocidade muito maior. Apesar disso, o tratamento tem toxicidade compatível com o esquema anterior, que envolvia apenas a radioterapia. A vantagem é que, junto à braquiterapia e radioterapia, a pessoa também pode receber quimioterapia – dessa forma, não aumenta o tempo da terapêutica proposta.

O câncer do colo de útero e a incidência no Brasil

O câncer do colo de útero é uma doença de evolução lenta que acomete, em grande parte dos casos, mulheres com idade acima dos 25 anos. Tem como principal causa o papiloma vírus humano (HPV), um grupo de vírus que infecta a pele, formando verrugas ou promovendo alterações celulares no colo uterino. A melhor maneira de prevenção é o Papanicolau, exame em que se coleta o muco cervical para avaliação.

Nos países desenvolvidos, é diagnosticado ainda em fase curável, pela eficácia dos programas de rastreamento já em estados iniciais.
Conforme esse rastreamento piora, aparecem os casos mais avançados. “Sabe-se que os tumores atingem com maior gravidade as populações mundiais menos privilegiadas economicamente”, revela.

O Brasil tem um número considerável de casos avançados da doença. Só no ano de 2012 foram diagnosticados mais de 17 mil.

Nos casos avançados – dificilmente encontrados nos EUA, Canadá e Europa, países nos quais se concentra boa parte dos ensaios clínicos -, não se sabia se a quimioterapia associada iria prejudicar mais a doente do que beneficiar, Zuliani pensou justamente nesse grupo e viu que o tratamento é uma saída positiva.

“Os resultados da pesquisa e do tratamento, que empregará técnicas em conjunto, foi um passo decisivo na terapêutica do câncer de colo avançado”, finaliza.

Sobre a American Society Radiation for Oncology (ASTRO)

A Sociedade Americana de Oncologia de Radiação (ASTRO) é a mais reconhecida do mundo neste área e reúne mais de 10 mil membros de diversos países. São médicos, enfermeiros, biólogos, físicos, radioterapeutas e outros profissionais de saúde que se especializam no tratamento de pacientes com terapias de radiação.

Como organização líder em radiação oncológica, a Sociedade dedica-se a melhorar a assistência ao paciente por meio da educação e formação profissional, apoio para a prática clínica, normas de política de saúde e avanço da ciência e pesquisa.
 

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